Seção: Em cartaz.
Estamos vivendo tempos difíceis. E não falo somente de crise política e financeira. Cada vez mais, vemos notícias, relatos e, até mesmo, sentimos na pele cenas de muito ódio e desprezo alimentados por preconceitos, ignorância e radicalismo. Fica difícil ter fé na humanidade, acreditar que as pessoas são boas.
Fica difícil acreditar que vale a pena fazer tudo o que for possível para salvar uma vida.
É por isso que o filme Perdido em Marte (The Martian), lançado neste ano, o mais recente trabalho de Ridley Scott, surpreende e vem muito a calhar.
Entrei na sala de cinema para assistir ao longa com baixas expectativas. Scott vem de um filme muito fraco, Prometheus, e sempre apresentou obras de ficção científica sombrias e desoladoras. E confesso que essas obras, como a franquia Alien, por exemplo, nunca me agradaram muito. Estava pronto para ver na tela um homem desiludido confinado num planeta sem quaisquer perspectivas.
Assim, fui surpreendido mais uma vez pela sétima arte.
Perdido em Marte é um filme vigoroso e muito leve, apesar das circunstâncias da história contada.
O longa conta a trajetória de Mark Watney, um astronauta que acaba sendo abandonado em Marte após um incidente que força a tripulação a deixar o planeta às pressas. Uma vez deixado para trás, ele precisa sobreviver por quatro anos, tempo necessário para que uma equipe de resgate chegue até ele. Acompanhamos sua rotina no planeta vermelho e, em paralelo, os esforços e politicagens da NASA para conseguir resgatá-lo.
De fato, o filme tem tudo para ser sombrio e pesado. Mas não é o que acontece. O roteiro de Drew Goddard, baseado no livro de Andy Weir, é leve e muito bem amarrado, sem se prender em pormenores científicos e explicações minuciosas que poderiam tornar a trama entediante. Goddard é um roteirista que usa a cultura pop a seu favor com maestria. Ele é responsável por filmes muito divertidos como Guerra Mundial Z, além de escrever alguns episódios da excelente série Demolidor, da Netflix.
Portanto, o roteiro apresenta um protagonista inteligente e bem humorado, que vai fazer tudo ao seu alcance para sobreviver, confiando que a NASA virá resgatá-lo. Ou seja, trata-se de um homem confiante e otimista. Entre seus monólogos em Marte e os diálogos entre a tripulação e o pessoal da Nasa, sempre tem uma ou outra referência pop, que dá muito mais sabor ao filme.
A direção de Ridley Scott é sempre muito bem executada, cuidadosa com os detalhes e com ótimos efeitos especiais (ainda que o 3D seja muito mal utilizado e quase nada acrescente á obra). É aqui onde a dramaticidade do filme se acentua, porém sem grandes exageros. Scott concebeu um Marte desértico e muito quente durante o dia, e gelado de noite. A fotografia é muito bem trabalhada, para passar a sensação de solidão, com planos bem abertos e, quando dentro das instalações espaciais, tudo sem muita cor nem som. A montagem também é digna de nota. O ritmo do filme é ótimo. Intercalando bem as cenas do personagem sozinho sobrevivendo em Marte e os esforços e conflitos da NASA para realizar o resgate.
Há também de exaltar o talento e carisma inesgotáveis de Matt Damon. Ele carrega o filme nas costas sem mostrar esforço nenhum. Seu carisma natural faz de Mark Watney um personagem muito fácil de se gostar. O que significa que você realmente torce muito por ele ao longo do filme. A atuação de Damon é primorosa, ele consegue ser otimista, mas também se mostrar desiludido e desesperado em alguns momentos.
O restante do cast é competente, mas nada que se sobressaia. Até mesmo o veterano e competente Jeff Daniels, que interpreta um dos responsáveis da NASA pela missão de resgate, fica meio apagado. Mas não é nada que comprometa o longa, já que todas as atenções estão mesmo voltadas para Matt Damon.
Para concluir, trata-se de um filme bem diferente do que estamos acostumados a receber de Ridley Scott quando se trata de sci-fi. Uma grata surpresa.
Um filme leve e divertido, que mostra a importância de não se perder a fé na vida. As metáforas se estendem ao longo do filme: saber encarar e vencer adversidades, aprender a lidar com as frustrações e derrotas. Não desistir. Recomeçar.
Perdido em Marte não é um filme que oferece apenas entretenimento de qualidade.
Ele nos traz alívio.
E, por isso, é muito bem vindo.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
GOOD VIBRATIONS
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terça-feira, 6 de outubro de 2015
NAVEGAR É PRECISO!
Seção: Sim, tem na Netflix!
Sabe aquela velha história de fazer uma coisa com coração, com alma? Não ter como objetivo principal dinheiro, ou reconhecimento, mas única e simplesmente satisfação pessoal?
Como um livro do Kerouac, ou um show do Paul McCartney, um disco do Rogério Skylab ou um filme do Cameron Crowe.
Às vezes acho que esse é o verdadeiro sentido da vida. Coisas feitas não por dinheiro ou reconhecimento. Mas porque fazer essa coisa faz com que você se sinta vivo.
Uma outra boa maneira de você visualizar o que eu estou tentando dizer aqui é assistindo ao excelente filme The Boat That Rocked (Os Piratas do Rock, aqui no Brasil).
Lançado em 2009, este longa britânico conta a história das rádios piratas que despejavam rock n' roll e pop aos ouvidos dos jovens ingleses cansados de música erudita e muita blá blá blá da BBC e demais rádios comerciais do Reino Unido.
Eram chamadas rádios piratas porque eram instaladas em velhos navios que ficavam ancorados nos gelados mares do norte da Inglaterra, a uma distância considerável da costa, longe das autoridades.
É em torno deste mundo que o roteiro do filme é ambientado, misturando realidade e ficção.
Um time de locutores que se revezam dia e noite na Radio Rock recebem a visita de Carl, enteado de Quentin, dono da rádio. Ali, entre sexo, disputas de egos e muito, mas muito mesmo, rock n' roll, Carl vai tentar descobrir quem é seu pai.
O humor britânico ácido e irônico dá o tom do filme, que não tem medo de ser politicamente incorreto e nem foge de clichês. Tudo na medida certa.
Ponto pra eles.
O crédito dessa rteceita de sucesso é de Richard Curtis, que escreveu e dirigiu o longa.
Curtis é um roteirista brilhante! Escreveu Quatro Casamentos e Um Funeral, O Diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor e boa parte dos episódios da série de TV do personagem Mr. Bean.
Encabeçando o elenco está um dos melhores atores dos últimos tempos, o falecido Phillip Seymour Hoffman, que está impecável como The Count, um locutor apaixonado por rock n' roll.
O filme ainda tem os engraçadíssimos Bill Nighy e Nick Frost, além de vários atores não tão conhecidos, mas muito competentes.
Não preciso dizer que a trilha sonora é matadora, uma coletânea do que melhor se produziu em termos de pop e rock até 1967.
Esse é o tipo de filme que é complicadíssimo de se falar a respeito.
O filme é tão encantador e engraçado. Tão inspirador, tão divertido...que não dá pra ficar só no básico. Há a necessidade de citar cada personagem, cenas marcantes, cada canção maravilhosa da trilha sonora e assim por diante.
O que resultaria num texto enorme que ninguém aguentaria ler.
Portanto, em resumo, posso dizer o seguinte:
The Boat That Rocked é um filme brilhante, inspirador e muito engraçado.
Tem interpretações magníficas de atores como Phillip Seymour Hoffman e Nick Frost.
Foi escrito e dirigido pelo talentoso Richard Curtis, que escreveu Quatro Casamentos e Um Funeral.
Tem uma trilha sonora arrasadora.
É um filme que fala sobre amor às causas perdidas, sobre acreditar no que te faz feliz...e também sobre sexo, drogas e rock n' roll, porque ninguém é de ferro.
Se depois de ler isso você não se interessar pelo filme, sinceramente, não sei o que você está fazendo aqui lendo este blog.
Filme recomendadíssimo!
Sabe aquela velha história de fazer uma coisa com coração, com alma? Não ter como objetivo principal dinheiro, ou reconhecimento, mas única e simplesmente satisfação pessoal?
Como um livro do Kerouac, ou um show do Paul McCartney, um disco do Rogério Skylab ou um filme do Cameron Crowe.
Às vezes acho que esse é o verdadeiro sentido da vida. Coisas feitas não por dinheiro ou reconhecimento. Mas porque fazer essa coisa faz com que você se sinta vivo.
Uma outra boa maneira de você visualizar o que eu estou tentando dizer aqui é assistindo ao excelente filme The Boat That Rocked (Os Piratas do Rock, aqui no Brasil).
Lançado em 2009, este longa britânico conta a história das rádios piratas que despejavam rock n' roll e pop aos ouvidos dos jovens ingleses cansados de música erudita e muita blá blá blá da BBC e demais rádios comerciais do Reino Unido.
Eram chamadas rádios piratas porque eram instaladas em velhos navios que ficavam ancorados nos gelados mares do norte da Inglaterra, a uma distância considerável da costa, longe das autoridades.
É em torno deste mundo que o roteiro do filme é ambientado, misturando realidade e ficção.
Um time de locutores que se revezam dia e noite na Radio Rock recebem a visita de Carl, enteado de Quentin, dono da rádio. Ali, entre sexo, disputas de egos e muito, mas muito mesmo, rock n' roll, Carl vai tentar descobrir quem é seu pai.
O humor britânico ácido e irônico dá o tom do filme, que não tem medo de ser politicamente incorreto e nem foge de clichês. Tudo na medida certa.
Ponto pra eles.
O crédito dessa rteceita de sucesso é de Richard Curtis, que escreveu e dirigiu o longa.
Curtis é um roteirista brilhante! Escreveu Quatro Casamentos e Um Funeral, O Diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor e boa parte dos episódios da série de TV do personagem Mr. Bean.
Encabeçando o elenco está um dos melhores atores dos últimos tempos, o falecido Phillip Seymour Hoffman, que está impecável como The Count, um locutor apaixonado por rock n' roll.
O filme ainda tem os engraçadíssimos Bill Nighy e Nick Frost, além de vários atores não tão conhecidos, mas muito competentes.
Não preciso dizer que a trilha sonora é matadora, uma coletânea do que melhor se produziu em termos de pop e rock até 1967.
Esse é o tipo de filme que é complicadíssimo de se falar a respeito.
O filme é tão encantador e engraçado. Tão inspirador, tão divertido...que não dá pra ficar só no básico. Há a necessidade de citar cada personagem, cenas marcantes, cada canção maravilhosa da trilha sonora e assim por diante.
O que resultaria num texto enorme que ninguém aguentaria ler.
Portanto, em resumo, posso dizer o seguinte:
The Boat That Rocked é um filme brilhante, inspirador e muito engraçado.
Tem interpretações magníficas de atores como Phillip Seymour Hoffman e Nick Frost.
Foi escrito e dirigido pelo talentoso Richard Curtis, que escreveu Quatro Casamentos e Um Funeral.
Tem uma trilha sonora arrasadora.
É um filme que fala sobre amor às causas perdidas, sobre acreditar no que te faz feliz...e também sobre sexo, drogas e rock n' roll, porque ninguém é de ferro.
Se depois de ler isso você não se interessar pelo filme, sinceramente, não sei o que você está fazendo aqui lendo este blog.
Filme recomendadíssimo!
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