sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CINEMA DE BOM GOSTO

Seção: Sim, tem na Netflix!

Não dá para negar. Trabalho é trabalho, nunca vai ser uma coisa divertida (caso contrário, não se chamaria trabalho, certamente). Porém, existe uma minoria de pessoas que tem a sorte e o privilégio de trabalhar fazendo uma coisa com a qual se identificam imensamente, que acreditam naquilo e conseguem ter prazer no trabalho.
Mas, como eu disse, é uma minoria. Para a maioria de nós, que trabalha para pagar as contas, nos resta aproveitar um pouco desse dinheiro para fazer coisas que a gente realmente gosta. Como ir ao cinema, por exemplo.

Eu não pensei em nada disso quando entrei numa sala de cinema, no meio do ano passado, para assistir o filme Chef, atualmente disponível no catálogo a Netflix.



Eu pouco sabia sobre o filme. Sabia que era uma comédia do Jon Favreau, diretor dos três Homem de Ferro, com o Robert Downey Jr. no elenco e que contava uma história sobre um chef de cozinha. E o fato é que, no fim das contas, eu saí do cinema muito satisfeito e revi o filme recentemente na TV e me diverti bastante.
Vamos ao filme.

Começo dizendo que é um filme óbvio. Não espere surpresas, um roteiro mirabolante cheio de reviravoltas ou algo parecido. Trata-se de um misto de comédia romântica, road movie e drama familiar. Em resumo, um chef renomado trabalha num restaurante conceituado de Los Angeles, mas perde o emprego por causa de uma confusão no Twitter e acaba indo até Miami para conseguir um trailer e ganhar dinheiro com um food truck. No meio disso, ele tenta se aproximar de seu filho pré adolescente e conviver com sua ex-esposa.

Como eu disse, é um filme bem óbvio. Depois da primeira meia hora, você já tem uma boa ideia de como tudo vai terminar. Mas, como eu sempre digo, o caminho que nos levará até este final é o que importa. E foi neste caminho que Jon Favreau acertou a mão.

Favreau escreveu, produziu, dirigiu e protagonizou o longa. Acho que isso já explica muita coisa. Sem medo de ser piegas, é um filme com muito amor envolvido. Certamente, era uma coisa que ele queria muito fazer e só conseguiu realizar depois de ganhar créditos na indústria cinematográfica com os filmes do Homem de Ferro e respaldo do próprio Downey Jr. (sabidamente, amigo de Favreau). E o legal é que ele não pirou com isso. Não quis fazer uma obra de arte, uma coisa experimental, com fotografia rebuscada. Tudo foi feito na simplicidade, com muita leveza.

O roteiro é linear e bem escrito. Não tem exageros. É engraçado na medida, tem bons diálogos e conduz o espectador com eficiência.  A direção também não tem grandes truques. Favreau apostou na simplicidade e beleza. O filme é muito alegre e colorido, até porque há muito da cultura latina do sul dos Estados Unidos na história, pois eles passam por Miami, New Orleans, Atlanta...onde a cultura cubana, porto riquenha e mexicana são muito presentes.
As atuações são o ponto alto do filme, com certeza. O elenco é estelar. O próprio Jon Favreau protagoniza o longa interpretando o chef Carl Casper e se mostra muito à vontade frente às câmeras. Scarlett Johanssen está ótima interpretando Molly, amiga e confidente de Carl, Robert Downey Jr. faz uma participação bem engraçada interpretando um empresário excêntrico, Dustin Hoffman é o dono do restaurante onde Carl trabalha e a Sofia Vergara está irresistível como Inez, a ex-esposa de Carl.

Ainda entra nesta receita uma trilha sonora saborosíssima, com muita música latina, rumbas e salsas, além de um pouco de southern rock e blues.

Todos esses elementos combinados, resultam num filme divertido e empolgante. Desses que você pode ver bem mais de uma vez sem se cansar, ideal para um domingo de tarde sem nada para fazer.

Eu tenho uma percepção muito pessoal sobre este filme. Foi a impresão que eu tive ao assistí-lo no cinema. Sinto que o filme é tão fácil de agradar porque foi feito com muita alegria. Tive a impressão que Jon Favreau realizou esse projeto como uma realizaão pessoal, sem pensar muito no retorno da indústria cinematográfica. Me parece que ele fez tudo do jeito dele, ele sabia tão bem como ele queria cada detalhe, que ficou tudo parecendo muito natural na tela.

Da mesma maneira que, após assistir The Wonders, o divertidíssimo filme de Tom Hanks, eu fiquei louco para montar uma banda e tocar por aí melodias dançantes, também saí do cinema super afim de aprender a cozinhar e ver beleza na gastronomia depois de assistir Chef. Com certeza, este filme me influenciou muito quano tomei a decisão de fazer o curso de gastronomia do Senac no começo deste ano, que realizei com êxito (sic).
Só isso, já faz dele, um filme valioso.
Valeu muito a pena assistir!
Bom apetite.

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