Seção: Sim, tem na Netflix!
É muito legal entrar numa sala de cinema e se deparar com personagens heroicos, com poderes incríveis, ou vilões extremamente ardilosos e totalmente sem escrúpulos. Há também monstros, alienígenas, zumbis...personagens que você dificilmente vai encontrar andando pela rua.
É a magia do cinema. É fantasia.
Mas também faz parte do cinema nos apresentar personagens comuns. Gente que poderia ser comparada a mim ou a você. Personagens com quem você se identifica de imediato. Também faz parte do cinema nos emocionar, fazendo com que nos olhemos no espelho.
E neste aspecto, o diretor Cameron Crowe é um mestre.
Quem não se identificou com Tom Cruise em Jerry Maguire, ou com o inseguro Willian Miller em Almost Famous...? Até mesmo os personagens do Singles, jovens adultos crescendo, buscando relacionamentos...Este Singles, inclusive, um filme subestimado de Crowe.
Tocamos em três pontos cruciais no parágrafo acima para falar sobre o filme escolhido para hoje:
Cameron Crowe
Personagens "humanos demais"
Filme subestimado
Lançado em 2005, este filme foi recebido de forma morna por público e crítica. Mas apesar disso, é inegável que Elizabethtown (Tudo Acontece Em Elizabethtown, aqui no Brasil) é um filme brilhante, com personagens carismáticos, com profundidade e um roteiro emocionante.
O filme conta a história de Drew, que, após fracassar em seu grande projeto na empresa onde trabalha, recebe a notícia que seu pai está morto numa pequena cidade do Kentucky, Elizabethtown, e é convencido pela irmã e mãe a ir buscar o corpo para a cremação.
No avião, Drew conhece a encantadora aeromoça Claire que, por acaso, também é de Elizabethtown.
Acrescenta-se uma família com todos os tipos caricatos que toda família tem e que Drew não via há anos.
Pronto!
Temos uma história totalmente corriqueira, mas contada de forma inspirada.
Drew, o protagonista, é interpretado por Orlando Bloom (mais conhecido por Legolas, de Senhor dos Anéis e Will Turner de Piratas do Caribe). É um ator que, sinceramente, nunca me despertou grande admiração. Mas está impressionante neste filme. É o tipo de personagem que, pelo menos em uma cena, você vai se identificar com ele. Ele dá uma humanidade, uma realidade, ao personagem, que chega a emocionar. Principalmente nos momentos em que ele está sozinho na estrada.
A aeromoça Claire é interpretada por Kirsten Dunst, a eterna Mary Jane, de Homem Aranha. E ela está ainda mais apaixonante neste Elizabethtown. Uma garota sensível e sincera, mas que parece sempre esconder alguma coisa...algum sentimento que não quer que as pessoas percebam. A interpretação dela aqui está espetacular.
Mas todos os créditos vão para Cameron Crowe.
Um dos poucos diretores autorais da atualidade, e um dos mais talentosos, diga-se de passagem.
Crowe escreve e dirije este filme com uma riqueza de detalhes impressionante.
A começar pelo roteiro. Interessante, cheio de diálogos irresistíveis, voltas e reviravoltas, surpresas, um humor delicado que permeia o filme todo, mas também uma carga dramática intensa.
Nunca vi ninguém falar sobre fracasso e busca por superação com tanta humanidade como Cameron Crowe consegue fazer.
Para completar, o longa conta com uma trilha sonora maravilhosa, com Tom Petty, The Hollies, The Temptations, Elton John, Ryan Adams...
A fotografia do filme é cuidadosa, principalmente destacando a paisagem ao longo da viagem de Drew pelos Estados Unidos.
E, por fim, a montagem é esperta, sem exageros de cortes, ou flash backs forçados deixa o filme leve, com muita naturalidade.
É um filme que todo mundo deveria ver.
Porque todo mundo já fracassou feio.
Todo mundo já pensou no pior.
Todo mundo é, pelo menos um pouco, inseguro.
Todo mundo luta pra se reerguer.
Todo mundo chora.
Todo mundo se apaixona.
Todo mundo se aventura.
Todo mundo vive. E sofre as consequências boas e ruins de viver.
Tudo acontece em Elizabethtown.
Tudo acontece em São Paulo.
Tudo acontece em Marília.
Tudo acontece, seja lá onde você viva.
Filme mais que recomendado, obrigatório!

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